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Durante a implantação das Linhas de Transmissão de Uruguaiana-Maçambará e Santo Ângelo-Santa Rosa, foram abertas cavas para a fundação das estruturas das torres e nelas encontrados sítios arqueológicos.

Pelo fato de atravessarem uma área de grande importância arqueológica, a das Missões Jesuíticas, a STE assumiu compromisso com a sociedade e assinou um acordo de cooperação com a Universidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, e as prefeituras dos municípios envolvidos. As tarefas de investigação e recuperação dos sítios arqueológicos estão sendo coordenadas pelo Dr. Saul Eduardo Milder.

As atividades arqueológicas se concentraram na área dos rios Imbaa, Touro Passo, Ibirocaí, Ibicuí, Butuí e Butuí Mirim, Icamaquã e outra parte na área dos rios Ijuí, Piratini e Comandaí.

Durante os trabalhos de campo, foi realizada a localização, o registro - nos moldes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)-, o georefenciamento, registro fotográfico e a caracterização dos sítios arqueológicos. Em alguns deles ainda foram realizadas verificações estratigráficas a fim de identificar o grau de potencialidade cientifica.

A preocupação dos pesquisadores foi de registrar o máximo de informações acerca dos impactos diretos e indiretos do empreendimento e registrar elementos de destruição que ocorreram na região atingindo as áreas com sítios arqueológicos.

Dessa forma, os pesquisadores registraram sítios arqueológicos que se localizam fora da área de impacto direto da linha de transmissão, com o objetivo de catalogar o patrimônio histórico cultural dos municípios atingidos e realizar cartilhas de educação patrimonial a serem distribuídas nas escolas e para a comunidade em geral.

Os sítios arqueológicos que se localizam na área de impacto direto e com potencial para pesquisa, passaram por escavação em grande escala e/ou coletas superficiais controladas, considerando as características geo e topomorfológicas de cada sítio.

As possibilidades de estudos futuros acadêmico-cientificos se concentram na caracterização da forma de ocupação humana em unidades naturais do relevo, ainda pouco registrado na arqueologia platina.

Alguns sítios arqueológicos registrados como as áreas de obtenção de matéria-prima em calcedônia com grande exploração, associados a uma complexa indústria de artefatos, foram pela primeira vez registrados.

Assim, o levantamento feito revelou aspectos importantes de sociedades humanas que deixaram vestígios e que agora estão sendo resgatados da forma mais completa possível. Bem como, as evidências claras de ocupação colonial (século XIX e XX) que pouco são consideradas no panorama geral do patrimônio cultural brasileiro.


Sítio perto de Santo Ângelo, de superfície, erodido, área com plantio e
presença de mata ciliar do rio Comandai.


Cemitério com sepulcros coloniais.
O mais antigo é de 1868-1933 e o mais recente da década de 70.

 
 
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